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Os incensos e eu

3 jan

Eu desenvolvi uma verdadeira paixão por incensos. Quando ainda morava com meus pais me lembro que de vez em quando a minha mãe acendia um, e a casa ficava bem pefumada. Naquela época essa era a única função do incenso na minha vida: perfumar a casa.

Durante muito tempo a ideia de adquirir incensos para a nossa casa nem passava pela minha cabeça – isso até começar a frequentar as aulas de yoga. Hoje em dia sempre temos incenso em casa, e utilizamos quase todos os dias. Descobri que o incenso tem um poder muito grande de mudar meu humor, a minha energia, a minha forma de ver e viver a minha casa.

Se estou feliz, coloco um incenso, se estou triste, faço o mesmo. Quando P. chega mais cedo do que eu, ele é quem se encarrega desse ritual. À vezes, quando o stress é demais no trabalho e eu sinto aquela necessidade imensa de chegar em casa e relaxar, necessidade de aconchego, eu ligo pra ele a caminho de casa e peço que ele coloque um incenso pra mim. Quando eu chego o ambiente está cheiroso, sinto aquela energia boa, difícil mesmo de explicar. Aí é só pegar uma cerveja e colocar as pernas pro alto no sofá.

Não sei se eu acabei associando o incenso à paz das aulas de yoga, ou se há verdadeiramente algum processo químico desencadeado pela queima dessa varinha mágica. Só sei que ele é capaz de mudar meu humor de uma forma impressionante.

Essa é minha lojinha preferida, e é lá que passo bastante tempo cheirando incenso. Cada um com seu vício, né verdade? Tem gente que cheira outras coisas, eu cheiro incenso.

Falta de atenção é um perigo

1 dez

Saí de casa para o trabalho pela manhã depois de uma noite super mal dormida e de uma crise de fibromialgia daquelas! Andei com a Brisoca, peguei meu laptop e fui rumo à estação.

Entrei no trem e, duas estações depois, me bateu aquela incerteza: será que eu desliguei o ferro de passar roupa?Comecei a me sentir mal dentro do trem, angustiada, medo, pavor de ter esquecido o ferro ligado. Só que já não tinha mais como descer, meu trem só ia parar na estação final.

Liguei para o P. imediatamente, meio que desesperada e disposta a voltar pra casa pra checar se estava tudo bem. Como ele trabalha mais perto (meia hora de carro), se prontificou a ir em casa desligar o maldito ferro. Pediu ao chefe pra sair e teve que contar o motivo (que vergonha!); pegou o carro da empresa emprestado e partiu.

Chegou em casa e constatou que…o ferro estava sim desligado.

Me senti péssima, me senti culpada, e comecei a chorar dentro do trem(pqp!).

Essa á a terceira vez que faço isso, e das três vezes, apenas uma vez (o que já seria o suficiente para uma tragédia) o ferro estava realmente ligado! Vejam só o perigo. Da outra vez tínhamos acabado de chegar no local onde faríamos uma aula experimental de dança, e de repente me dei conta de que o ferro poderia estar ligado. Voltamos pra casa…ferro desligado.

Vocês podem até pensar que estou fazendo drama, tempestade em copo d’água, mas me senti péssima por ter colocado a nossa Brisa e a nossa casa em risco. Me senti péssima pelo esquecimento em si. Tão grave e tão besta ao mesmo tempo. Pela repetição, pela falta de atenção, pela falta de memória, por andar com a cabeça tão cheia. Transbordando, na verdade. Acho que nunca estive tão mentalmente cansada como estou agora.

Já percebi que esses episódios de “será que eu desliguei o ferro?” sempre acontecem depois de uma noite mal dormida, ou de situações de muito stress (geralmente as duas coisas andam juntas). E no final, ferro ligado ou não, o desfecho é sempre uma crise de choro e tristeza, fico abatida de verdade.

E olha, é difícil me ver triste. É muito fácil me ver puta e sem paciência, mas triste assim, não é comum.

Era só o que me faltava. Tô ficando doida de vez. Como diria a minha mãe, preciso de uma troca de chip, ou de comprar mais memória.

Não há Mindfulness que me baste.

A importância de estar no momento em que se está

26 mai

Quase todos os dias vou de bike para a estação. Geralmente é um trajeto agradável quando não está ventando ou chovendo. Antes eu não via nada no caminho porque tinha pressa, estava sempre atrasada. Agora eu vejo tudo, porque decidi ser uma pessoa pontual.

O trajeto até a estação dura mais ou menos 10 minutos, chego e guardo a minha bike com aquele vovô que demora séculos pra pregar a etiqueta de identificação. Então decidi virar “sócia” do lugar e pagar por mês, o que fica bem mais em conta, e além disso não precisaria mais esperar o vovô pregar o tal papel, já que eu teria um papel pregado permanentemente.

Simples assim. É só entrar, dar bom dia e procurar um buraco qualquer naquele mundão de bicicletas onde a minha magrela caiba, e depois correr pro abraço. Digo, correr para o trem.

Então que eu deixei minha bike lá, e fui pegar meu trem, numa boa. Na volta, quando fui pegar a magrela, me deu um branco. Olhei para os lados, vi aquele mundo de bicletas amontoadas, três corredores de dois andares lotados.

E eu? Eu não sabia nem por onde começar, porque quando guardei minha bike eu estava lá de corpo presente, mas eu não estava lá de verdade, se é que vocês me entendem. Por fim achei a danada, escondida num canto, exatamente onde eu havia colocado.

Um pouco mais de mindfulness da próxima vez.

Aqui, agora

20 jan

Às vezes tenho a sensação de estar meio perdida. Você alguma vez já se sentiu como se você não fosse mais você mesma? Você já se pegou sentido saudade do passado, de quando a vida era mais tranquila, de quando os problemas eram, aparentemente, menos complexos?

Os problemas mudaram, e nós também mudamos, só não sei se foi pra melhor.

Às vezes na correria da rotina, dos afazeres, do ter que ser melhor, ter que fazer melhor, ter que se destacar, a gente acaba perdendo o foco da nossa própria vida, do nosso caminho. Começamos a viver mais ou menos no piloto autmomático, e muitas vezes rodando em círculo, procurando aquele algo que nos falta. E quando você encontra o tal algo, se dá conta que precisa de um outro algo, e assim sucessivamente. Nunca está bom, nunca é o suficiente. Tem sempre mais alguma coisa muito importante, que não pode esperar.

Fazemos tudo aquilo que a sociedade moderna nos ensina e nos obriga a fazer, e acabamos muitas vezes esquecendo o que é realmente importante pra nós. Já parou pra pensar no seu dia? Quanto tempo do seu dia você dedica às coisas que te dão prazer?

Nas resoluções de Ano Novo nos blogs que leio, percebi uma comoção maior em relação à necessidade de encontro com a espiritualidade, com o bem estar, com a saúde física e mental. Em algum lugar li que essa era uma nova tendência do mundo moderno. Eu não concordo. Acho que seja mais uma consequência da vida que vivemos hoje, uma necessidade de reencontro com a própria natureza. Porque a gente roda em círculos, mas uma hora a gente cansa, a gente pára e se pergunta: Pra onde mesmo que eu estava indo?

É meus caros, a gente perde tanto tempo planejando nosso futuro, tentando encontrar significados para os fatos que ocorreram no nosso passado, e esquecemos que a vida é agora. A gente vive nessa bolha de sonhos, de ilusões, onde tudo tem que ser do jeito que queremos, quando e como planejamos. Nós vivemos cegos, cheios de verdades, cheios de suposições, teorias, fórmulas, convicções, pré-conceitos e opiniões afetadas. Vivemos num constante estado de preparação, como se vida fosse acontecer no futuro.

E enquanto isso, a vida está lá fora; fora da sua bolha. A vida acontece indepentendetemente das suas vontades, e ela não pára e nem te espera.

Estou lendo o livro Wherever you go, there you are, de Jon kabat-Zinn. Recomendo a leitura, e é este livro que tem me feito pensar, pensar, pensar…Quero aprender a aplicar a teorica e as práticas de Mindfulness na minha vida e tentar viver mais o aqui, porque esse “aqui” é o que temos para o momento, o resto são apenas conjecturas do que pode vir a ser, ou não.

É, o inverno está aí

22 out

Eu tomei uma decisão muito séria que vai afetar minha rotina drasticamente neste inverno: Eu não vou mais me entregar ao frio. O inverno me deixa meio deprê, com muita preguiça de sair de casa. Eu juro, juro que se eu não tivesse que vir trabalhar todos os dias, iria passar o inverno todo em casa, dormindo e comendo. Pra mim o pior do inverno não é o frio em si, nem a neve (que eu acho um saco), mas é a escuridão, os dias curtos, as árvores sem folhas; tudo cinza. Você sai pra trabalhar no ecuro e volta no escuro.

Nos dias de inverno eu me olho no espelho e não me reconheço. Tá, eu sei que não sou das mais vaidosas, nunca fui, fico ainda pior no inverno, acreditem. Fico que nem uma mendiga, sério mesmo. Não tenho ânimo pra me maquiar pela manhã, não me arrumo pensando em ficar quentinha e bonita, me arrumo pensando em ficar bem quentinha apenas, e o resultado minha gente, é um mulambo ambulante.

Outro dia fui na Ici Paris comprar um perfume, e aproveitei pra ver umas maquiagens, assim como quem não quer nada. Passando pela área dos produtos Chanel, a vendedora perguntou se eu precisava de ajuda pra escolher alguma coisa. Eu disse a ela que estava precisando de um blush, mas que ainda não tinha me decidido. Ela, mais do que prontamente, veio me ajudar e me mostrou algumas cores, tipos, alguns pincéis de aplicação, etc. Gente, quando ela passou o blush em mim, que eu me olhei no espelho, tive vontade de fingir um desmaio ali mesmo. A minha cara estava horrível, pele seca, olho inchado, cheia de espinha e o pior: meu cabelo todo cheio de fiapo pra cima, parecia que eu tinha colocado o dedo na tomada e levado um choque de alta voltagem. Juro, tive vergonha do meu desleixo. Cara de mendiga querendo comprar blush Chanel, não combina. Acabei comprando um lápis de olho, só pra disfarçar, rs.

Fisicamente também sinto uma diferença. Eu, que sempre pesei por volta dos 48kg, cheguei aos 50kg e estou cultivando uma barriguinha daquelas tipo azeitona (preta). É só uma pancinha, mas me incomoda porque toda vez que olho pra ela me sinto a pessoa mais sedentária da face da terra. Amo a yoga, mas sei que vou precisar produzir muita serotonina nesse inverno, e por isso me matriculei ontem na academia. A intenção inicial é frequentar a academia duas vezes por semana, e continuar com a yoga às quartas. Meu principal objetivo não é ficar gostosona (lógico que não vou achar ruim caso isso aconteça), quero mesmo é repor as energias, desestressar e me sentir ativa fisicamente. Não é, Gisley?

A academia é muito legal, fica bem no centrão da cidade há 5 minutos da estação de trem, então a desculpa esfarrapada de que “eu não vou porque é muito longe e tenho que pegar ônibus” não vai colar. O lugar foi escolhido tanto pela praticidade quanto pela variedade de aulas em grupo, porque se depender de mim pra “puxar ferro” por conta própria sem ninguém gritando no meu ouvido “vai você consegue!”, vocês vão morrer esperando. Além disso a academia disponibiliza um “mini SPA” com uma piscina aquecida a 30 maravilhosos graus, 3 tipos diferentes de sauna e banho de luz, pra enganar a tristeza do inverno.

E vamos que vamos!

Energia positiva

3 set


Eu pratiquei yoga durante alguns meses no ano de 2003, quando estava a ponto de enlouquecer estudando para o vestibular. Depois dessa fase pensei várias vezes em recomeçar, mas tinha sempre alguma outra prioridade.

Na minha busca incessante por um hobby, achei que seria legal tentar a yoga de novo, já que não tenho muito saco para malhação, pura e simplesmente. Pra mim esse é também o momento ideal para recomeçar a prática, já que acho que (finalmente) estou numa fase bem legal de autoconhecimento, e já que autoconhecimento nem sempre envolve apenas descobertas boas, acho que equilíbrio é essencial nesse momento.

Bom, tudo isso para dizer que essa é a minha segunda semana de yoga, e estou adorando!!! Depois da primeira aula confesso ter ficado em choque, porque tinha em mente algo parecido com o que pratiquei no Brasil, um estilo mais leve, bastante voltado para a meditação.

Pois bem, não foi o que eu encontrei. Digo, encontrei isso e muito mais no Hatha Yoga, cuja filosofia eu não conhecia, e prática conhecia só de nome. O Hatha Yoga também visa o equilíbrio da mente e do corpo, controle da mente, dos movimentos e respiração. Só que a metodologia utilizada visa o fortalecimento físico, e foi aí que eu quase me ferrei.

A professora é uma graça, a calma em pessoa, e me explicou muito bem do que se tratava o Hatha Yoga, e me alertou que eu deveria respeitar os meus limites – mente e corpo. Eu tenho certeza que ela achou que eu iria disistir logo depois da aula experimental, tanto que ofereceu até ajuda para procurar algum outro lugar com aulas mais leves, caso eu não gostasse da aula dela.

Não tem como não gostar! A sala de aula é espetacular, é um lugar muito simples (mas muito bem decorado) e muito especial, cheio de vibrações boas (sapatos ficam do lado de fora) e de pessoas com uma filosofia de vida que me motiva. Esse é o website dela para quem tiver interesse.

No dia seguinte à primeira aula eu senti muitas dores no corpo. Dois dias depois, como de costume, as dores se intensificaram, deixando bem claro o que me aguardava pela frente. Na segunda semana sinto que as dores diminuíram bastante. As dores sim, mas os desafios não. Depois de muitos anos sem fazer nenhuma atividade física que exigisse muito de mim, o Hatha Yoga é, além de tudo, um desafio particular. Alongar as pernas, os braços, sentar com as pernas esticadas mantendo a coluna em linha reta por 15 mins, tocar o chão com as mãos, entrelaçar meus braços pelas costas até que eles se toquem, virar meu pescoço para direções que eu nem sabia que existiam…nada disso é fácil! Eu suo, minhas pernas tremem, meus braços não suportam o peso do meu corpo, e nessa hora eu paro, respiro, me concentro e tento de novo.

E não é que tem funcionado? Vejo que tenho praticado Yoga não apenas na sala de aula, mas em casa, no trabalho, na rua, e o mais importante: em silêncio comigo mesma.

Eu paro, respiro, me concentro e tento de novo.

Aí depois eu surto de novo.

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